Faxina

            Sabe quando você decide pôr um ponto final, um basta e dizer chega para tudo o que aborrece e faz chorar. É quando você subitamente acorda, levanta, passa a mão no cabelo e sai desesperadamente em busca de felicidade. Qualquer parada é perca de tempo e todo tropeço é aprendizagem. As chuvas de verão servem para refrescar a mente, manter vivo o objetivo e apagar qualquer sinal de fogo ou desistência. Nesse momento você bate a porta no nariz de todos os intrusos, passa um antivírus nos desejos, seleciona os números importantes, descarta tudo o que é incerto, muda a cor do batom, aumenta o salto, joga fora a caixa de lenços de papel e ainda toca toda aquela pinga no ralo. Agora é vinho do porto, revolver pronto e olho por olho, dente por dente. Tire o filtro do passador de café, filtre tudo o que for necessário, dispense a arrumadeira e faxine você mesma esse coraçãozinho, ponha o cinto, pois é hora de tirar o pé do freio! 

Sexo dos poetas

A porta se fecha, o silêncio paira sobre o ar do apartamento. Eles se beijam e tudo começa mais ou menos assim:

Um abrir de zíper quebra o silêncio
Na sequência um estouro de botões se incia
Com algemas ela o prende, doce suplício
Sem beijos, sem paixão, sem carícia

Uma gota ou duas de tortura
Três ou quatro goles de conhaque
Pra esquentar e livrar de qualquer frescura
Corpo quente, hora do ataque

Ela sobe, desce, inclina
Ele enlouquece, o piso estremece
Os olhos brilham e ela deixa de vez a menina
O ambiente se aquece

Mais um toque de malícia
E de repente o primeiro verso
Um ou dois arranhões, delícia
Numa cisma de vai e vem, modo inverso

Feito acordeon 
De verso em verso
O "trem" fica pra lá de bom
E no suor o corpo imerso

Sobe, desce, inclina
Enlouquece, estremece
Luxúria, satisfação, sina
Cala-se a sanfona, adormece

No dia seguinte relembra tudo o que foi feito
Prazeres somados, magia
Nove meses passados, não tem jeito
Nasce a antologia.



Saudade

Me diz,
Quem não tem saudade
De ser criança, aprendiz?
Quem não sente falta da menor idade

Do desapego,
De rir infinitamente sem motivos
Do sossego,
Que nem machucado tirava, nem curativo...

Que saudade!
Tempos em que as feridas
Eram causadas sem maldade
Sem essa coisa de ida, despedidas

Agora me apego, desespero
Sinto ferido meu interior
Sento, levanto e ainda espero
Seria tédio ou seria amor?

Mês de aniversário

       
          E foi assim entre poemas, crônicas, contos, tristezas, dúvidas, fatos reais, inventados que se manteve de pé esse projeto pensado e repensado durante muito tempo. Posso dizer que a missão até então está sendo cumprida, os objetivos alcançados, fatos relatados e muita emoção frente a essa página. Agradeço à todos os leitores por fazerem parte dessa ideia maluca, por agraciar esse cantinho com suas visitas e por fazer valer essa realização que era apenas um breve sonho, que se tornou realidade. Um ano se passou, tudo está aqui registrado, escrito. Espero que muitos outros anos venham com textos bons, com rimas e orgasmos que se multipliquem. Por fim, OBRIGADO à todos que prestaram o seu apoio, passam por aqui ou simplesmente dão uma espiadinha de vez em quando. 

1 ano de orgasmo !


Não apenas palavras

             Escrever pode ser um hobby, talvez um modo de se expressar, lavar a alma. Um simples passar de dedos no teclado ou um rabiscar de lápis no papel pode significar um dom, uma mania, uma tentativa de ser poeta. Escrever pra mim é assim como esvaziar a cabeça, quando cheia do mesmo pensamento. É como droga vicia e quando bate a necessidade... A mão treme e pede para mexer uniformemente formando palavrinhas.
              É mais que simplesmente rimar, do que falar de amor ou do que simplesmente jogar palavras ao vento. Ser escritor é conseguir emocionar o leitor de alguma maneira, dizendo verdades que ele gostaria de dizer, fazendo com que ele se identifique com o escrito. Poeta escreve de amor, porque escreve com amor. Eu escrevo para tentar passar de alguma maneira algo de bom ou prazeroso para as pessoas. Não sei se de fato emociono ou consigo realmente passar mensagens positivas, mas tento e com paixão. 
              Não importa se a história for minha, sua, da Maria. O importante é que está escrita e vai ficar registrada ali, em algum lugar, por longa data. Enfim, chega de conversa mole, tentativa de reflexão sobre esse mundo que me encanta. O importante é que acima de todas as coisas escrever é arte, independente de modo ou qualquer crítica existente. Agradeço a quem eu tiver de agradecer por essa força voraz que me faz escrever.